A próxima Sessão com Debate dos Cinemas Teresina já tem data para acontecer. Será 12 de dezembro com a exibição do documentário “Cidadão Boilesen” e presença do diretor Chaim Litewski.

 

O filme de 2009 revela as ligações de Henning Albert Boilesen (1916-1971), presidente do famoso grupo Ultra, da Ultragaz, com a ditadura militar, ajudando no financiamento da repressão violenta.

 

Albert Hening Boilesen era um empresário dinamarquês nacionalizado brasileiro. Durante a ditadura, foi um dos grandes entusiastas da Operação Bandeirante (Oban), inaugurada em São Paulo no ano de 1969. A Oban, criada pelo Exército para investigar e reprimir grupos da esquerda armada, foi financiada por empresários vinculados à Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp).

 

Segundo o documentário, Boilesen não era o que fazia os maiores aportes financeiros, mas tinha um importante papel de articulador, convocando novos empresários para participar do financiamento.

 

Mas Boilesen teria ido além. Diversas fontes afirmam que o empresário participava de sessões de tortura e que inclusive teria importado dos Estados Unidos um instrumento de tortura que soltava descargas elétricas crescentes. O instrumento teria sido apelidado de “pianola Boilesen”. “Ele pessoalmente frequentava a Operação Bandeirante, ia ver os presos e assistia a sessões de tortura”, afirma no filme o historiador Jacob Gorender.

 

A participação de Boilesen nas torturas fez com que a Ação Libertadora Nacional (ALN) e o Movimento Revolucionário Tiradentes (MRT) elaborassem um plano para executá-lo. O empresário foi assassinado próximo de sua casa, na alameda Casa Branca, em São Paulo, em 15 de abril de 1971. Seu caso é considerado emblemático da participação civil na repressão. Ford, GM e Camargo Corrêa também são apontadas como empresas que financiaram a Oban.

 

Dentre os depoimentos existentes no documentário estão o do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, o ex-governador de São Paulo Egídio Martins, Erasmo Dias, Dom Paulo Evaristo Arns, além de vítimas do regime, como Carlos Eugênio da Paz, membro da ALN que liderou o grupo que matou Boilesen.

 

Chaim Litewski

O diretor Chaim Litewski fez o filme “Cidadão Boilesen” com financiamento próprio e em suas horas vagas. O documentário levou 16 anos para ficar pronto, mas em sua primeira exibição já conquistou o troféu de melhor filme do festival É Tudo Verdade em 2009.

 

Chaim é carioca e graduou-se na Polytechnic of Central London (Westminster University), em cinema, especializando-se em propaganda e conflito. Escreveu para publicações do British Film Institute, e produziu documentários de televisão para o Channel Four, da Inglaterra, entre outros. Trabalhou na TV Globo em Londres e no Rio de Janeiro. Foi diretor da Fundação Antares (Rádio e Televisão Educativa do Piauí). Produziu reportagens especiais para CBC (Canadá), RAI (Itália), NBC (EUA) e muitas outras redes de televisão internacionais. Trabalhou na LIESA/RJ vendendo direitos internacionais de transmissão do carnaval entre 1988 e 1989. Em 1991, Chaim ingressou nas Nações Unidas em Nova Iorque.

 

Antes de se aposentar em setembro de 2016, dirigiu a Seção de Televisão da ONU. Produziu e dirigiu dezenas de programas, incluindo: “World Chronicle” (entrevistas com personalidades globais); documentários como “Cyber-Tales of Three Cities” (apresentado no Festival Internacional de Cinema de Veneza), “Waging Peace”, “Armed to the Teeth”, “A Workshop for Peace”, entre muitos outros. Produziu centenas de reportagens sobre conflitos, emergências humanitárias, direitos humanos e questões ambientais em mais de 100 países. Cobriu guerras na América Latina, Oriente Médio, na antiga Iugoslávia, Cáucaso, Ásia Central, Melanésia e em toda a África, incluindo o genocídio de Ruanda.

 

Também foi consultor do documentário “Mais Além do Cidadão Kane” de Simon Hartog sobre a história da Rede Globo.